Consideramos trabalho como aquela actividade com que ganhamos a nossa vida. Nessa consideração, o trabalho começa no momento em que iniciamos as actividades que compreendem o nosso emprego, e termina no momento em que essas actividades terminam. O trabalho tem como objectivo o sustento do corpo, a aquisição de novos bens e a manutenção daqueles que já adquirimos. Somos ainda informados que o Emprego/trabalho é um direito, um direito pelo qual devemos lutar. Mas será que trabalho é só isto?
Durante séculos o trabalho foi considerado como algo que diminuía a homem, trabalhar era sinónimo de servir a outrem e somente aqueles que ocupavam os lugares mais baixos da escala social trabalhavam/serviam. Um homem de posição social elevada, vivia, muitas vezes, de rendimentos, fossem rendas sobre propriedades ou retornos de investimentos, mas era sempre o outro que trabalhava, o servo.
Trabalhar foi uma tarefa que era entregue, primeiro aos escravos, mais tarde aos servos e depois aos empregados. Era uma actividade de baixo valor, sendo desconsiderados pelos seus pares os "nobres" que se viam constrangidos a trabalhar de forma mais activa, mas raramente da forma dura e muitas vezes brutal que os operários e os que cuidavam das lides da Terra.
Mas se observarmos com atenção, vemos um movimento de mudança, a princípio bastante subtil, e com o passar dos séculos ganhando ímpeto até que se tornar num movimento ostensivo e evidente.
Analisando a situação do ponto de vista analítico, podemos observar com clareza, que os primeiros movimentos de trabalho não remunerado surgem nas estruturas fundadas a seguir à crucificação pelos Apóstolos de Jesus. Esses homens, inspirados pelo exemplo Daquele que tinham tido por Mestre, passaram a doar-se aos seus semelhantes de forma total e incondicional.
Os seus exemplos inspiraram mais tardes as várias ordens religiosas que existiram a Europa medieval e, após a 2ª Guerra Mundial, as Organizações Não Governamentais e as Instituições Particulares de Solidariedade Social. E mesmo que os integrantes dessas associações se declarem sem crença religiosa, a verdade é que os sentimentos que os impulsionam nessa tarefa de dedicação aos seus semelhantes, é o mesmo sentimento que animou os religiosos dedicados nos últimos 20 séculos.
Essa vontade de ser útil, de servir os outros que não se tem obrigação de o fazer, de Trabalhar quando não se há nenhuma recompensa monetária em vista.
E eis o verdadeiro sentido do Trabalho. Servir os outros quando não se é obrigado a fazê-lo, porque, como disse um grande sábio do século XVIII (cabe a vós descobrir quem): "Trabalho é toda actividade útil."
A expressão é completamente significativa. Ele não define trabalho como ganha pão, como emprego ou obrigação, mas como toda actividade útil.
Então trabalho será o nosso emprego quando executado com honestidade e sobriedade, é as tarefas de casa que nos permitem um ambiente tranquilo para vivermos e repousarmos, é toda a vez que ajudamos alguém a atravessar a rua, quando até podíamos olhar para o outro lado, seguramos a mão de alguém para ajudar a descer de um autocarro, etc, etc.
Trabalhemos então, não só nos nossos empregos, que são o nosso ganha pão, mas em todas as actividades em que podemos ser úteis, todas as tarefas em que podemos beneficiar alguém.
Esse é, e será sempre, o verdadeiro propósito do Trabalho, servir os outros no sua ascensão para a Felicidade, conquistando no processo a nossa Paz interior.
Um Bem Haja a todos!
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