Chuvadas

Como qualquer bom português, uma das coisas que mais aprecio é um bom dia de sol. E para ser sincero, estas chuvadas têm tido a capacidade de me limitar nesse gosto. Para além da questão ainda mais triste que são as tempestades, com resultados fatais, que se abateram sobre alguns locais do nosso País.

Mas tragédias à parte, somos confrontados com várias realidades, que uma análise mais minuciosa nos revela.
A Mãe Natureza, espelhando uma vontade sublime e profundamente generosa, regenera-se continuamente. Aproveitando os resultados positivos das tempestades que ciclicamente se abatem sobre os vários pontos do Globo, a Vida ganha novo impulso.

E para aqueles que não acreditam no que digo, procurem fotografias actuais das regiões afectadas pelo Tsunami de 2004 e terão perante os vossos olhos o esplendor da Mãe Terra a mostrar que, por pior que seja a calamidade que sobre ela se abata, a recuperação é sempre possível.
A nossa Mãe Natureza consegue esse prodígio não porque seja mais dotada que nós seres humanos para esse mister, mas sim porque tem uma atitude diferente.

Quando a calamidade destrói uma região do Planeta, a Natureza não dedica tempo a lamentar-se pelo que foi perdido ou destruído. Não se ocupa de contabilizar perdas e levantar orçamentos para recuperação.
Nesses momentos de aparente tragédia, a Natureza lança mãos à obra, limpando o que não é passível de ser usado naquele local, enaltecendo os bens disponíveis, e a tudo dá um fim útil, seja naquele local, ou mais adiante.

O ser Humano por seu lado, quando vergastado pela dor e pelo sofrimento, detém longas horas a contabilizar o que perdeu, dedica largos dias a enaltecer a culpa (alheia) pelo sofrimento que sobre si se abateu, opta por ignorar vezes sem conta as inúmeras oportunidades que a Vida lhe oferece para reconstruir.

Dentro de todas as tragédias que sobre nós se têm abatido nos últimos dias, todas elas com resultados tristes, debrucemos-nos sobre as oportunidades que a Vida encerra em cada uma delas. Choremos os que partiram, vejamos o que ficou destruído, mas coloquemos mãos à obra, porque à semelhança da Mãe Natureza, o tempo não se detém e o dia de amanhã está já a chegar.

A todos um grande bem Haja!

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