Tendo crescido numa zona vivendas, habituei-me desde sempre a ouvir a música do amolador anunciando a sua presença e oferecendo os seus serviços. Muitos dos mais novos, provavelmente, nem conhecem esta profissão. O amolador é alguém que, entre outras actividades, afia facas e objectos cortantes. Lembro de um, nunca falei com ele, que passava pela zona onde morava, que além destas actividades ainda arranjava guarda-chuva (no tempo em que não custavam 5€ no chinês da esquina) e reparava pequenas engrenagens. Hoje, neste belo início de tarde Janeiro, estava eu sentado ao meu computador, a pesquisar na internet por novidades em relação a tablet pc, quando ouvi a música da minha infância a vir da janela da minha casa. Já não moro numa vivenda, mas num apartamento, numa zona mais de cidade. Há quantos anos eu não ouvia aquela música, que segundo os antigos chama a chuva.
Uma imensa saudade invadiu-me o coração, mas também uma profunda tristeza. Estas são actividades que estão a desaparecer, e de repente dei comigo a pensar que os meus filhos, quando os tiver, provavelmente nunca ouvirão a música do amolador e só "o" conhecerão pelas memórias do pai. E com isto vejo que parte da minha infância está entrar, de forma irrevogável, no domínio da história Passada, deixando de fazer parte da realidade objectiva de todos os dias. Talvez seja assim que os mais antigos de hoje se sentem em relação às coisas que havia na sua infância e adolescência e hoje não passam de histórias e contos para entreter os netos.
Sou um grande defensor do avanço tecnológico, mas não deixo de sentir nostalgia pelo que já não existe a não ser na minha memória. Como dizem os Xutos & e Pontapés "O que foi não volta ser, mesmo que muito se queira."
Um Bem Haja!
Francisco Ribeiro
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